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sábado, julho 07, 2012

No Verão nada melhor que um TANQUE

Tanque Silva,

Nome que passou por Portugal um pouco incógnito. Beira Mar em 2004-2005 foi a sua estação, talvez mesmo um apiadeiro nesta estrada de Tanque Silva que foi andar de clube em clube.

O certo é que depois do Beira Mar os grandes clubes tomaram conta desta Tanque.
Veléz Sarsfield, Newells, Fiorentina!! e Boca Juniors.
Tanque a mostrar que estava ainda pronto para a guerra. Nesse ano em 2004, Tanque Silva marcou 2 golos no Estádio da Luz na vitória do Beira Mar sobre o Benfica. Um Tanque a dar banho aos benfiquistas nesse jogo.
Terá sido das melhores vitórias de Luís Campos como mister.

Mas voltando aos dias de hoje, Tanque Silva, fez das suas. Após perder contra o Corinthians a final da Copa Libertadores... ficou com um iphone de ultima geração para ligar a um familiar no balneário...
muito bom esta ataque do Tanque!!



http://www.record.xl.pt/multimedia/videos/interior.aspx?content_id=766287#.T_eDHj7BwJk.blogger

domingo, abril 01, 2012

Quatro Quartos

“Isto está mau, está…”. Quantas vezes nós já ouvimos este queixume?
Tudo é relativo.
Está mau?
Não, ESTA é que é a ocasião certa para dizer “está mau”:

Estávamos em 10 de Abril de 1983, jornada 25 do campeonato. Dilúvio de proporções bíblicas no quintal de Vidal Pinheiro. A casa do Salgueiros. Sem relva. Sem cobertura. Sem bancadas. Apenas um mar de chapéus-de-chuva em redor dos muros cerceados com arame farpado ferrugento e uns prédios à ilharga. Aqui jogava-se futebol de primeira divisão, com abnegados profissionais meio-futebolistas, meio-comandos. O oponente: o fugaz Alcobaça, o Felgueiras dos anos 80 no que à divisão-mor concerne. Isto era o nosso futebol de primeira, a duas décadas de distância do Euro 2004. Onde mesmo as marcações do campo pareciam imaginárias, havia guarda-redes chamados “Barradas”, contusões e caneladas com fartura e onde discernir um golo ao longe assemelhava-se à árdua tarefa de encontrar um sapo num charco em forma de campo de futebol. 
Agora está mau? Pois sim. Quem lhes dera uns equipamentos tão janotas como os da Olympic em 1996. Era como tirar um saco de serapilheira ensopado de cima para vestir um prêt-à-porter parisiense. Quem lhes dera um Adelino Ribeiro Novo em 1991. Era quase como mudar-se de um T2 na Arrentela para um T3+1 na Lapa. 
Tudo neste filme de terror disfarçado de resumo de jogo de futebol assume proporções cataclísmicas, denota-se um esforço sobre-humano para resistir ao caos daquele jogo tornado batalha. Há um enorme suspense até descobrir quem vai perder uma perna no lamaçal ou quem irá rebolar pelas encostas contíguas ao campo até bater com a cornadura no muro cá em baixo. Até o comentário ao resumo é confuso e dessincronizado, admitindo logo ao início que “as condições eram muito más”.
Era assim em 1983. Parecia tudo tão diferente, mas afinal o FMI também por cá andava, tal como agora.

Podia dizer-se, “ah e tal, mas aposto que os grandes não engoliam esses grupos, mudavam logo um jogo desses para a Maia ou para Torres Novas ou para o Algarve e furtavam-se aos pelados”. Mas nem por isso.
Estávamos em 18 de Janeiro de 1987 e jogava-se os dezasseis-avos de final da Taça de Portugal. O recinto: Campo Engº Carlos Salema, em Marvila, Lisboa, casa do Oriental, o grande rival do Atlético para saber afinal quem é o 4º grande lisboeta. Uma caixa de fósforos na Azinhaga dos Alfinetes toda engalanada neste dia. Alegria e emoção numa tarde solarenga de Inverno, com bancadas, colinas, postes de iluminação, casotas abandonadas e varandas todas repletas, nem o Gabriel Alves resistiu ao encanto da Festa da Taça. O Oriental, embora mais habituado a derbies de grande fervor com o SL Olivais, Olivais e Moscavide e Sacavenense, militava na antiga II Divisão que então fazia cócegas à I Divisão e recebia o venerado Sporting de Peter Houtman, Oceano e Virgílio. Quase que havia tomba-gigantes. E também houve um grande tombo, mesmo em cheio no pó de Marvila. E não foi um artista qualquer. Foi Mozart, o génio da música a estatelar-se ali num espaço não marcado, raspando os joelhos na gravilha em busca da derradeira sinfonia do penalty. O árbitro não tinha bom ouvido nem bom olho. Apontou livre. Quim não se fez rogado e escreveu um pequeno hino ao futebol direito por linhas que não existiam, compondo assim um “minor hit” para a popular agremiação lisboeta. Que saiu de cabeça erguida – mas não muito, que aquelas vedações também não eram muito altas.

Pegando no Sporting e avançando mais um ano, é com prazer que assistimos à apresentação da equipa para a época 1988-89, o Verão de Jorge Gonçalves. Neste trabalho quase familiar de Miguel Prates, que passeia-se quase despercebido por balneários e em redor de vários homens em tronco nu, é feita uma descrição individualizada das famosas “unhas do leão”: o bigode convicto de Carlos Manuel, a timidez de Miguel, a natural surpresa de Rui Maside, o estilo mariachi de Rodolfo Rodriguez, a boa onda de Douglas e a ambição de Silas. Lamentavelmente, Eskilsson, que já tinha sido apresentado há algum tempo, atrasara-se. Mas ainda assim, todo o contexto é muito bom. Há calças às riscas, pólos inenarráveis e um desfilar de meias brancas sem paralelo; um parque automóvel composto por Nissans Datsun, Opéis Kadett e Renaults 5; a figura do “supervisor”; o bigodão sapiente do preparador-físico Roberto Portela; e, last but not least, Jorge Gonçalves himself a exortar o plantel a passar na secretaria para receber os seus contos de réis em atraso e a comunicar publicamente e in promptu a estratégia do clube em termos de gestão de tesouraria, tudo com uma frontalidade desarmante.

Também neste Verão, Aveiro voltava a respirar os ares de primeira. Silva Vieira faz de nosso cicerone na viagem ao mundo encantado do Beira-Mar 1988-89. Alinha os reforços e apresenta-os um-a-um. Vamos poupar-vos a detalhes; vejam vocês mesmos a autêntica passerelle de moda bem típica dos anos 80 em pleno Mário Duarte. Só vos avisamos que tem o Paquito, o Barradas que vimos ali em cima a enlamear-se pelo Alcobaça e um jovem Zé Ribeiro, entre outros exemplos de mau gosto estético francamente embaraçosos nos dias de hoje, dominados que estamos pela cartilha de “gel + tatuagens + mostrar as boxers por trás = muito cool”. Mas não tem o Abdel Ghany, o 1º egípcio a sair de casa, e logo um super-egípcio, segundo o presidente babado; nem o Bira/ Vira, um avançado que promete trocar os olhos aos defesas mais do que Silva Vieira troca as consoantes. Contas feitas, qualquer estilista que veja este vídeo pode ter pesadelos durante vários dias a fio.

segunda-feira, janeiro 09, 2012

As Palavras Que Nunca Te Direi (Porque Levei Pontos Na Boca E Custa-me Mexer O Maxilar)

Humphrey Bogart e Ingrid Bergman. Leonardo Di Caprio e Kate Winslet. Paulinho Santos e João Pinto. Javi Garcia e 95% dos outros jogadores do campeonato. Já todos presenciámos célebres casais apaixonados nos ecrãs, trocando mimos e carícias várias até uma teimosa lagrimazita forçar o seu caminho pela face abaixo do empedernido espectador. Poses emblemáticas. Frases que se gravam no coração, apertando-o com um estranho ardor. Olhares que nos fulminam, despertando em nós formigueiros incontroláveis que varrem a nossa estrutura óssea de ponta a ponta. E depois, aquele último beijo com o som dos violinos chiando ao fundo, torneando a brisa que sopra delicada ao pôr-do-sol, fazendo soltar suspiros em toda a assistência (no caso do Paulinho Santos e do Javi Garcia, substitua-se “beijo”, “violinos” e “suspiros” por “cotovelada”, “claques” e “gritos de dor”, respectivamente). É um espectáculo.

Mas… e os duros? O Chuck Norris, o Steven Seagal e o Fernando Aguiar não amam? Amam, pois. Já provámos isso e eis mais uma prova: Eliseu e Sá Pinto ensemble, Primavera de 1995, a bela Primavera dos amores perfeitos, nesse recinto atacado pelas setas de Cupido denominado Estádio Mário Duarte, sito na romântica Veneza portuguesa:

Ponto 1: ninguém terá dúvidas que, fora dos estúdios de Hollywood, Chuck Norris e Steven Seagal parecem a turma do Noddy quando comparados com a rudeza crua destes dois sanguinários do futebol indígena. Eliseu e Sá Pinto foram dois dos mais inspirados autores do Manual do Bom Rufia do Futebol Português, Manual esse iniciado sabe-se lá por quem e sucessivamente aditado de várias contribuições… até que um dia, Binya, ao seu estilo, chegou e rasgou os tendões de Aquiles deste Manual, fazendo tábua rasa de tudo o que já tinha sido escrito e construindo uma nova base para a boa cacetada. “Binya é um senhor”, parece ter confessado Javi Garcia em sinal de gratidão por tão valiosos ensinamentos, mas afinal ninguém viu, ninguém ouviu, ele não disse, não havia câmaras, ele não estava lá, foi alguém que disse por ele nas suas costas, etc. e tal… e foi-se a ver, o Javi Garcia não fez nada e estava só a rezar ao Menino Jesus. O costume.

Ponto 2: Nicholas Sparks não o admitirá, mas muita da sua obra literária sorveu inspiração deste instantâneo. Verdadeiramente enternecedor. A cara prenhe de paixão de Eliseu, de cabelos fulvos e dentes cerrados, esticando o seu braço tenso de tanto amor ao encontro de outro loucamente apaixonado, essa Florbela Espanca do futebol português no seu sentido literal que era (é?) Sá Pinto, que fecha os olhos para melhor saborear o prazer doido que lhe afaga a face e invade as veias, fazendo-as pulsar por mais actos de amor desaustinado. Uma conjugação felicíssima, até nos patrocinadores – ambos lacticínios, um é queijo, outro é leite, dois produtos que se calhar até provieram da mesma vaca, da mesma teta, da mesma ervinha que ela ruminou, ervinha essa que pode ter sido a do Mário Duarte. Ou um círculo fechado em si mesmo. Uma simbiose natural. O destino juntou Eliseu e Sá Pinto nesta tarde e os seus corações jamais vibrariam com a mesma violência apaixonada a partir daqui.

Coincidências? No amor não há coincidências.

PS: impressionante o plantel do Beira-Mar nesta época, constituído por um verdadeiro poker de ases de paus: para além de Eliseu, Sandokan Dinis, Hugo “Sniper” Costa e O Outro Eusébio, aos quais se juntava o joker Piguita. You can’t beat that.

segunda-feira, dezembro 12, 2011

Élio Bruno Teixeira Martins

E se toda a tua vida fosse resumida num segundo apenas?

Uma brilhante faísca de genialidade ou uma apagada centelha de ineptude.
Qual escolherias?

Certamente a primeira, sem quaisquer reservas.

Põe-te na pele de um jovem de 25 anos assolado pelo pútrido fantasma da calvície precoce. Nasceste no Machico com sonhos afogados pelo Oceano Atlântico - o horizonte lá longe, no Continente. Um pote de ouro no final de um Arco-Íris interminável. Atravessaste a ciclópica mancha de água a nado, numa demonstração de inabalável força interior e assinalável potência braçal. Afinal, era esse o teu Destino. A tua salvação.

À Beira-Mar deste à costa, com as Chaves do sucesso na tua trémula mão direita. A fechadura mostrou-se inviolável. Guardaste a chave no bolso da esperança, mas não regressaste a nado ao Machico. Nem por um segundo duvidaste de ti mesmo. Procuraste a felicidade no destino comum a outros tantos compatriotas - Chipre, a nova Paris dos anos 70.

Porém, a salamandra do sucesso continuava a escorregar-te por entre os dedos - fria, húmida, fugidia. Esconde-se em qualquer falha do Muro das Lamentações, por mais pequena que esta possa ser. Porém tu, pleno de tikvá na alma, não te deixaste atemorizar. A tua crença carrega-te às costas, e sabes que um dia serás tu mesmo a carregar às costas a crença de milhares - quiçá milhões.
Por isso não desistes.

Regressas ao Continente Luso, com Chipre no retrovisor do cargueiro. Sem salpicos de dúvida ou arrependimento atravessas o crispado mar do insucesso.
Avistas de novo Beira-Mar.

"Desta será de vez!" apregoas de peito cheio.

Forças a entrada no palco maior do teu métier.
As coisas não correm pelo melhor, mas tu lutas, e lutas. Não desistirás nunca, porque o sucesso é uma inevitabilidade.

Até que chega o momento pelo qual sempre esperaste:
Aqui, agora, neste segundo, o Mundo abre-se perante ti.
Deus abre os portões da Imortalidade e estende-te um presente com ambas as mãos. De laçarote enfeitado.
É aquilo com que sempre sonhaste.

Noventa e quatro minutos e trinta segundos ficaram para trás - pela frente está o invicto Campeão Nacional, player de elite nas lides Internacionais. Condecorado, medalhado, poderoso, orgulhoso, forte e arrogante.
Mas naquela ocasião, inesperadamente, o Campeão tropeça.
Cambaleia.
Prepara-se para a queda, posiciona-se para a desgraça.
Só precisa de um pequeno - ínfimo, quase ridículo - empurrão.

É Golias à mercê de David. Naquele segundo apenas, naquele instante, tão inesperado quanto chocante.
E só tu o podes empurrar.

Sempre soubeste que o momento iria chegar um dia.
Os olhos do Mundo estão colados em ti. Carregas às costas a crença de milhões, contra a esperança de outros tantos.

O Universo dividido em dois. Desta vez não há Bem, nem Mal. Só tu David, e um Golias prestes a imortalizar-te como Herói - ou Mártir.

Posicionas-te, olhas o destino nos olhos e vês a sua face medonha desafiando-te num esgar malévolo.
É agora.

Atemorizas-te ou brilhas como uma supernova que escolheu deixar toda a sua vida para trás, dedicando-a por inteiro a um instante apenas - para cintilar como nunca ninguém antes cintilara?

O momento é teu, AGARRA-O!!
...
... e falhaste.

Falhaste de novo. Mas desta vez, meu amigo, o Mundo estava a ver.

Ajoelhas-te no relvado carregado de chuva, compondo com dolorosa perfeição uma trágica tela de decepção.
Mãos trémulas cobrem-te o rosto de vergonha.
A chuva, indiferente ao cenário, banha-te a prematura calvície com lágrimas cósmicas de uma estória repetida.

Deus deu-te a hipótese de escrever um triunfante epílogo para a tua própria existência.
Passou-te a pena celestial para a mão, mas foste apenas capaz de escrever um triste requiem.

Porém, a vida continua.

Ou será que não?

sábado, novembro 20, 2010

segunda-feira, julho 26, 2010

O Culpado

Até aos anos 60, a vida de Jocielson foi um espectáculo. Era o Brasil no seu esplendor: praia, suruba, caipirinha, praia, samba, caipirinha, mulheres bojudas ao nível da retaguarda mas incrivelmente planas do outro lado, descanso, caipirinha, calor, peladinhas na praia e caipirinha. Perereca era uma dessas mulheres que levava a vida a dizer “meu bem”, “que gostoso!”, “pois não” e coisas que só as brasileiras sabem dizer com aquele sorriso imaculado na cara de maneira a parecer que estão a sentir realmente o que estão a dizer. O que era mentira, e ainda é, mas que era óptimo, e talvez ainda seja, para fazer bom ambiente. Eram tempos dourados. Ninguém trabalhava e essa foi uma tendência que se manteve impecavelmente intocada até hoje. Só se corria para jogar à bola e para apanhar o ónibus a caminho do boteco ou da praia, e isto se já não se morasse numa proto-favela junto à praia, onde metade do areal servia para a instalação de bares artesanais para a disponibilização de bebidas alcoólicas. Jocielson e Perereca encontraram-se por casualidade numa praia num dia de folga, quem diria?, quando o primeiro calculou mal o timing de uma finta durante uma pelada e a bola saiu desgovernada, calcorreando alguns metros na areia até atingir a bunda de Perereca, que estava deitada de barriga para baixo a apanhar búzios para a sua refeição. Ou à espera do destino. A bola perdeu-se para sempre naquele universo de carne. Mas Jocielson não se importou: ele e Perereca cimentaram logo ali uma química brindada com caipirinhas ao pôr-do-sol. Ao som da bossa nova trocaram carinhos e ficaram por lá até as estrelas preencherem o céu. E depois apareceu um tucano gigante que se meteu à frente da nossa vista a vender-nos guaraná e mais ninguém ficou a saber ao certo o que ambos estiveram a fazer até tão tarde.
O que é indiscutível é que a vida de Jocielson mudou nesse ano de 1960. Houve um dia em que ambos estavam de folga, como seria de esperar, e Perereca apareceu com uma barriga um bocado mais saliente. Jocielson começou logo a desconfiar, porque caipirinha não engorda e Perereca não podia engolir bolas de futebol sem o seu consentimento. Perereca estava muito feliz, contudo, e isso tanto podia ser do facto de estar grávida de Jocielson ou pelo facto de ter bebido muita caipirinha nesse dia. Infelizmente para Jocielson, Perereca tinha largado o álcool duro com o método “cold turkey” e agora só bebia cerveja acompanhada de abacate, abacaxi, goiaba, maracujá e mais uns quantos frutos que compõem o Bongo. O que era melhor para o fígado mas de efeito pernicioso para o intestino. Não era uma situação “win-win”. Jocielson sentiu o seu mundo a desabar, como se um Roberto tivesse chegado à sua baliza por 8,5 milhões, uma figura de estilo bastante válida se não estivéssemos em 1960. “Ó aí”, disse a babada Perereca, “si fô minino, vai sê jogado dji futjibóu”. O que ela não disse é que se fosse menina iria trabalhar para um restaurante de um centro comercial da zona metropolitana de Lisboa, com sorte; mas, felizmente para Perereca, o bebé saiu mesmo com uma espécie de cordão umbilical permanente e, hossanas ao Senhor, queria jogar à bola.
A vida colorida de Jocielson tornou-se negra. Ou acastanhada. É a cor das fraldas. Já não havia praia 360 dias por ano; já não havia as 30 e tal caipirinhas horárias do costume e o miúdo estragou-lhe grande parte do seu descanso. “Maldição!”, desabafou Jocielson, que ainda equacionou fugir para o Paraguai para livrar-se daquele fado em que se tinha tornado o seu sambinha de Verão. “Para quê?”, perguntou Perereca. “Paraguai”, respondeu Jocielson.
Estava claro que a culpa da situação era do miúdo. O culpado era o nenê. E se o culpado é sempre o mordomo e todos mordomos se chamam Jarbas, com excepção do tipo do Ferrero Rocher que se chama Ambrósio e que nem será bem um ser humano para aturar aquela gaja que tem um gosto para chapéus e vestidos insuportável e que só quer é exposições de arte e limusinas e essas cenas que nem ao Nuno Gomes interessam, então o nenê iria chamar-se Jarbas. E Jarbas ficou.
Jarbas cresceu com o ódio do pai e a alegria despassarada da mãe, que passava os dias a sambar nas ruas do vilarejo e as noites a fazer tricot junto a um coqueiro na praia ao som de um cavaquinho tocado pelo Seu Eleutério, que era um velhote de pele encarquilhada e sem dentes que bebia cachaça pura e que existia sempre junto a uma praia do Brasil, qualquer uma que ela fosse, e que um dia as crianças descobrem que apareceu a boiar no alambique da aldeia e que vai ser substituído por um ex-jogador de futebol, também sem dentes, chamado Clodoaldo, ou qualquer coisa do género, que esteve algures no fim de carreira a jogar no Portimonense, sem sucesso. Depois as coisas tornaram-se ainda mais complicadas com o advento da Ditadura Militar, que obrigou os brasileiros a sambarem 3 horas por dia útil e 12 horas aos fins-de-semana (que iam de 4ª a Domingo) e os restringiu a beber somente 10 caipirinhas por dia, com a promessa que podiam ir à praia 200 dias por ano, no máximo. Com a Ditadura não se brincava e se esta era, ainda por cima, Militar, ui, era melhor ter cuidadinho. Mas isso já é demasiada política e, sendo este um blogue de futebol, ou lá o que é, deixo esta análise para o Nuno Rogeiro, que também percebe de futebol e de como jogar ao Risco com o Martim Cabral, que fica todo lixado por ver sempre o Nuno Rogeiro a movimentar os soldadinhos do Quebeque para o Ontário com a facilidade de quem contrata jogadores para o FCP, a sacar duplos e triplos 6 com os dados e a ganhar sem mudar um pouquinho a disposição do seu cabelo. Aliás, o Nuno Rogeiro percebe de tudo e até percebeu que nós algum dia iríamos referir o seu belo penteado por aqui. O Nuno Rogeiro só não é como o Mourinho porque não quer e porque falar com embaixadores dá outro estilo, a cena dele é outra, mind ya.
Bom, Jarbas fez-se homem, dando uns toques na praia e aprendendo o b-a-bá do samba com Perereca, ou seja, como abanar a celulite com saltos altos, mas sempre carregando a cruz de Jocielson às costas, que nunca lhe perdoou o facto de Jarbas lhe ter estragado a juventude. Chegámos aos anos 80 e, no meio de tanta telenovela com gente de chumaços nos fatos verdes e laca em cima de mullets desavergonhadas, houve um momento de lucidez na cabeça de Jocielson. “Ó aí, rapai”, apontou Jocielson a Jarbas, enquanto se servia de mais uma caipirinha, “tu vai ganhá grana prá tua família prá Europa, tu tá ouvindo?”. Jarbas estava meio distraído pelo facto de Perereca estar a dar à luz o seu 5º irmão enquanto batucava numa caixa de fósforos, mas percebeu a mensagem. Fez a trouxa, que consistia apenas num par de chinelas, duas limas (um fruto e uma ferramenta, pelo sim pelo não) e gelo picado que nunca chegou ao destino, e fez-se à vida, para a Europa. A velha Europa onde residia o Eldorado do jogador de futebol.
Infelizmente para Jarbas e Jocielson (não tanto para Perereca, que estava distraída a escolher bikinis), o máximo que conseguiu foi chegar a Portugal, que não era bem Europa a sério e que tinha demasiados bigodes para ser como o Brasil, para além de que aqui se bebia mais vinho tinto a martelo do que caipirinha, como não podia deixar de ser no país com a maior taxa de penetração do grande flagelo infecto-contagioso do século XX: o benfiquismo, doença incurável com picos de elevada parvoíce durante a pré-época. Mas a culpa foi de Jarbas, que assim que viu “Beira-Mar” num pedaço de papel disse logo que sim e assinou de cruz, que era a única forma que ele sabia como assinar, pensando que era um clube de praias com coqueiros, mulatinhas com tangas minúsculas, cheiro a maresia e coisas do género. A parte do cheiro a maresia era verdade, vá lá. E quando cá chegou, deu logo de caras com o Dinis. O anti-clímax total.

Dinis, imponente, puxou a culatra atrás, “rrrrrrrrrr”, e soltou uma escarreta para o chão, “ptui!”, que deixou Jarbas abismado. Dinis era idolatradíssimo com a sua barba de Sandokan e, não raras vezes, sacava estrelas ninja do seu turbante com que cortava jogadas e membros dos adversários, se a situação o exigisse. Dinis só falava inglês. Para o estilo. Tinha sotaque de John Wayne e gostava de olhar Jarbas de alto a baixo com as mãos nas ancas. “Whassup, dude? Comin’ here to play some real stuff, hey?”, disse-lhe em tom jocoso, enquanto mascava uma caneleira só para o cenário, cuspindo os restos para dentro de um balde, ao jeito de quem masca tabaco num saloon de velho Oeste. Depois apareceu o Zé Ribeiro, um religioso convicto, que mal viu Jarbas soltou “Oh, meu Deus!” e Jarbas “O que é que foi? O que é que foi?”, sem que reparasse que estava a pisar o Redondo, o que fisicamente até é difícil de fazer sem se sentir, porque Redondo não tinha arestas e raramente parava quieto nos treinos, mal vinha o vento e lá ia Redondo a deslizar sobre o relvado. E quando faltavam as bolas, o que acontecia regularmente após os chutões do Costeado para o quintal contíguo ao Mário Duarte, o Redondo, nas palavras de Dinis, “stepped in”. Todavia, a culpa tinha sido de Jarbas, o Redondo já lá estava mas não se importou, pois estava habituado a ser sempre pisado, pontapeado e maltratado, menos pelo Paquito, visto que o Paquito não percebia as anedotas e uma vez quando lhe disseram para repetir muitas vezes a palavra “branco”, o Paquito disse “branco, branco, branco, branco, branco, branco, branco, branco, branco, branco” e depois perguntaram-lhe “o que é que a vaca bebe?” e ele disse “leite” e o pessoal riu-se todo e ele até hoje ainda não percebeu o que é que correu mal, porque na cabeça dele as bovinas nunca bebem água como os humanos e fazem uma espécie de fellatio auto-induzido à la Marilyn Manson para debelar a sede. Mas tudo bem, estava tudo na boa, o Zé Ribeiro benzeu-se, o Redondo não fez caso, levou com um biqueiro do Dinis e foram todos treinar.
Jarbas iniciou então a sua aventura, tentando ludibriar uma série de pinos no treino ministrado pelo belga Jean Thiessen. Que era melhor treinador que o outro belga, o Waseige, que nem era bem um treinador na verdadeira acepção da palavra porque dizia que o Missé-Missé era um “très bon joeur” e gostava de fumar cigarrilhas, muito menos pedófilo que este, ligeiramente melhor guarda-redes que o Filip de Wilde, tão expressivo como o apóstrofe do Preud’Homme e tinha cabelo menos encaracolado que o Demol. E pronto, de uma penada resumimos a história da Bélgica no futebol português, faltando apenas o Alain, que por acaso também estava neste plantel. Quer dizer, não era por acaso, mas para o caso tudo bem, é uma boa expressão. Jarbas, após algum esforço e uma troca atabalhoada de pés, contornou o primeiro pino, porém derrubou previsivelmente o segundo e parou sem saber bem o que fazer no meio do relvado, bloqueando a dinâmica colectiva do treino. Thiessen perguntou “Então, já ‘tá? Então, já ‘tá? Então, já ‘tá?” como se fosse o Bart e a Lisa Simpson no banco de trás para o Homer e o Jarbas urinou-se pelas pernas abaixo com medo da reacção do Dinis, que estava admirado por finalmente ter alguém que falava a mesma língua em termos de destreza técnica com a bola. “You’re my man”, confortou o Dinis, acrescentando, “but you’ve ruined the training, so the fault is yours”, para desalento do Bugre, que queria mostrar a sua bandolete à saciedade/ à sociedade/ ao Nuno Sociedade (riscar o que não interessa – mas não experimentem fazê-lo no monitor ou mesmo no vosso PDA) no treino e impressionar mais que o cachimbo de água do Abdel-Ghany, que todos pensavam que continha haxixe. Todos menos o Paquito, que era muito inocente e julgava que o Di María só saía mesmo pela cláusula de rescisão, isto com 20 e tal anos de antecedência, ainda o Di María não devia ter nascido, vejam bem. Com o treino arruinado, Jarbas começou a traçar o seu destino. Que não era mais que um segmento de recta imaginária que ia do balneário até ao banco. Entretanto, o Covelo divertia-se que nem um doido com o cachimbo do Abdel-Ghany e era vê-lo marcar auto-golos e agarrar-se à bandeirola de canto a rir-se que nem um perdido para incredulidade geral. O Abdel-Ghany dizia que não percebia a reacção, que aquilo era só umas pedrinhas com sabor a baunilha e que faziam borbulhinhas na água, o que até dava um aspecto lúdico à coisa e era engraçado de ver e cheirava bem e tal. ‘Tá bem, abelha. E o Dreyffus queixava-se que o Covelo não passava o cachimbo a ninguém mas também não se podia queixar muito, porque no campo era o Dreyffus que não passava a bola a ninguém.
Todas as equipas tinham a sua vedeta e Dreyffus era a vedeta do Beira-Mar. Tinha nome de tipo francês importante ou de actor secundário no “Tubarão I”. Só isso lhe conferia autoridade. Aliás, Dreyffus tinha o dístico “VEDETA DA EQUIPA” colado em letras garrafais no vidro traseiro do seu Ford Escort, mesmo ao lado do autocolante da Rádio Cidade e por cima do popular “Perca peso. Pergunte-me como”. Até nisso o Dreyffus destacava-se dos demais, pois Bugre tinha um Opel Ascona, o Redondo nem sabia conduzir, o Abdel-Ghany não conduzia por ser contra a sua religião, o Zé Ribeiro não conduzia por pensar que ia contra a religião do Abdel-Ghany e o próprio Jarbas ia de bicicleta para os treinos. Culpa dele, claro, que se esqueceu das chaves na ignição do seu VW Brasília e disse adeus à viatura. Dreyffus jogava sempre os 90 minutos, mesmo que só passeasse a publicidade às Telhas Campos pelo campo. O que não deixa de ser irónico, porque havia um tipo no plantel que só por duas vezes foi para o banco, em dois gestos de pura caridade de Thiessen. O seu nome: Reydis. Era guarda-Reydis, estava bom de ver. Também, com o Miguel a titular, era difícil. O Miguel era careca e isso impunha respeito. Ou, como diria o Dinis, “He’s a goddamn stylish m.f.”. O Reydis nunca perdoou o Jarbas pela sua sorte e acusou-o de ter sido o seu mau karma o causador da sua situação aberrantemente secundária. O Jarbas lá veio com cartas astrológicas e combinações astrais mas o Reydis não foi na conversa e incompatibilizaram-se logo ali, como Stojkovic e Paulo Bento. Bem, tanto assim talvez não, mas, pronto, estavam tipo Izmailov e Costinha. O Reydis disse-lhe, “Meu, neste banco eu sento-me aqui e tu vais lá para o fundo que não te posso ver nem pintado”, o que deitou logo por terra o body-painting colorido com que Jarbas uma vez se apresentou ao jogo. E depois o Jarbas estragou o banco onde se sentou porque a tinta ainda não tinha secado totalmente. Zé Ribeiro fez o sinal da cruz e largou um “Ai! Jesus!” e o Jesus, que estava na baliza do Leixões, quase que se distraía e comia com um golo do meio-campo do Alain. Ou do Bugre. Era difícil distingui-los. Os dois andavam sempre juntos e havia quem dissesse que aquela amizade era demasiado suspeita. Menos o Paquito, que tinha amigos imaginários com quem bebia chá e estava sempre à espera que aparecesse o coelhinho da Alice no País das Maravilhas para passarem o tempo e para quem a amizade não tinha limites de decência. O Covelo disse que os viu a comer do mesmo esparguete até os seus lábios se tocarem, como n’ “A Dama e o Vagabundo”, mas que não conseguiu ficar acordado até ver essa parte. Ninguém acreditou, mas os rumores costumam ter sempre uma base de realidade. Quem sabe, quem sabe… Aquele banquinho, contudo, ficou irremediavelmente estragado e o clube imputou as culpas ao Jarbas. Como sempre.
À 18ª jornada, Jarbas deu nas vistas. Acertou em cheio com a bola no meio dos olhos do Paulo Campos e deixou-o temporariamente cego. O Thiessen perguntava do banco “Então, já ‘tá? Então, já ‘tá? Então, já ‘tá?” e, após algum esforço, finalmente o Paulo Campos recomeçou a ver, não sem antes ter sido apanhado em flagrante fora-de-jogo uma meia-dúzia de vezes e de ter apalpado dois GNRs junto à linha lateral quando pensava que estava a agarrar uma garrafa de água: um dos GNRs gostou, o outro autuou-o, mas depois achou queriducho e acabou por rasgar a nota de culpa, optando por passá-la antes ao Jarbas, que tinha mais cara de quem cometera alguma ilegalidade. Mas Jarbas estava diabólico naquele dia. Cumpriu os seus primeiros 90 minutos completos. O resultado: um glorioso 0-0. Dinis só lhe disse, em jeito de palmadinha nas costas, “Nevermind…”, e o Jarbas, sem deixar cair a bola no chão, “Tudo jóia, cara, eu vou nevermind isso”, ao que o Dinis ajuntou “… the bollocks, here’s the Sex Pistols is a great album, you shoulda hear it when you’re down, boy. By the way, you really sucked today”.
Naquela altura, Jocielson, que era o progenitor do Jarbas para aqueles que já se esqueceram, já começava a sentir as saudades a apertar. Saudades do dinheiro enviado por Jarbas pelo correio. E porquê? Porque Jarbas se esquecera de comprar selos e tinha dito ao Covelo para comprá-los por si. O Covelo pensava que aquilo era LSD e meteu-os debaixo da língua. Mas aquilo não bateu e o Covelo ficou a ressacar no balneário, deixando Thiessen sem opções no eixo defensivo e obrigando o Dinis a distribuir fruta por dois. “I’m cool with that”, disse o Dinis, mas aquilo era demais até para o Sandokan e o Dinis não sabia bem onde se estava a meter. O Redondo, como era seu apanágio, descaía muito para as zonas laterais, para onde o terreno inclinava, e deixava auto-estradas abertas para o fuzilamento do desamparado Miguel. Portanto, o Jarbas ficou com as culpas de não ajudar os pais por desleixo, deixou o Covelo fora de combate e sobrecarregou o Dinis. Para cúmulo dos cúmulos, Jarbas partiu a bandolete do Bugre durante o aquecimento, o que fez o Alain ficar fulo da vida e entrar numa espiral de sub-rendimento que, afinal, foi um pouco a história da sua vida. Tornava-se cada vez mais notório que Jarbas estava a constituir parte do problema e não da solução. A expressão “ter culpas no cartório” aplicava-se na perfeição a Jarbas, porque uma vez o Dreyffus, farto de tudo, foi a um cartório notarial e autenticou formalmente as culpas do Jarbas. Tinha que haver uma conversa séria com o Jarbas.
Essa altura chegou e o plantel reuniu-se no balneário para discutir o dossier-Jarbas. O Abdel-Ghany acobardou-se e veio lá com as desculpas dele “ah e tal, tenho o Ramadão à minha espera, vou ali ficar de jejum e já venho”. Só voltou no final de Abril. O Dinis, por seu turno, quis fazer o papel do polícia mau e atar o Jarbas a uma cadeira numa sala sem janelas apenas com um candeeiro com uma lâmpada intermitente de 40 W e esbofeteá-lo até ele desistir, mas o plantel, um pouco a medo, recusou e o Dinis perdeu o controlo e desatou a gritar “You fools! We’re all gonna die! DIE!!!” mas depois deu um pontapé no Redondo e aquilo passou-lhe. O Costeado, que era um tipo ponderado, abeirou-se do Jarbas e disse-lhe, “Pá, olha, isto não está a correr bem, gostamos muito de ti, mas se calhar precisamos de dar tempo ao tempo. E como não temos muito tempo, o melhor é talvez procurares outro caminho. Sei lá, o Tirsense. Ou dedicares-te a escrever romances policiais em que apareças como herói, para variar. Qualquer cena”. Jarbas então deixou escorrer uma tímida lágrima, vergastado pelas evidências. “Pôxa, então a culpa é toda dji eu?” e o Costeado “Não temos provas científicas, mas temos a certeza que sim”, ao que o Jarbas respondeu com um dilúvio de choro e baba e ranho e coisas cor-de-rosa que nem queremos saber o que eram ao certo. “Tudo bem”, disse um meio-refeito Jarbas, enquanto fechava a porta do balneário de forma bisonha atrás de si, um clique triste e arrastado, perante o silêncio emocionado do resto do plantel. Depois apareceu o abananado Thiessen que perguntou “Então, já ‘tá? Então, já ‘tá? Então, já ‘tá?” e o Paquito “Hã? O que é que foi?” e todo o balneário rebentou em sonoras gargalhadas de meter inveja às melhores trips do Covelo, o Redondo rebolou-se todo a rir, o Zé Ribeiro disse “Minha Nossa Senhora!” deitado no chão num delírio histriónico, coisa que em condições normais ninguém faria, tal era o pé-de-atleta que por abundava naqueles azulejos encardidos, e pronto, estava restabelecida a harmonia no seio do grupo de trabalho. “You guys rock!”, admitiu um Dinis com brutais dores abdominais de tanto rir.
Aquilo deu para assegurar a permanência na I Divisão, que era o nome arcaico da The League Formerly Known As [Insert Advertiser] League, mas Jarbas voltou atrás com a palavra e ainda ficou para mais 3 épocas. Cada vez jogando menos, é certo, de modo a amenizar as suas culpas, mas o que não mata mói e houve gente que não aguentou. O Thiessen não gostava que lhe faltassem ao prometido e nem pensou duas vezes: foi para a terra de Manneken Pis fazer o que ele fazia e há quem diga que o seu instrumento era ainda de menor dimensão. O Dreyffus mandou o seu estatuto de vedeta às malvas e deu de frosques para esse grande colosso onde podia espalhar o seu estrelato como quem chega a uma praia e estende uma toalha em cima do local onde esteve o cão do lado a fazer umas coisas marotas há cinco minutos atrás que era o Tirsense. O Alain chateou-se com as bandoletes do Bugre e também foi para o Tirsense volvido um ano. E o próprio Redondo, após um dia de tempestade monumental, rebolou tanto e de tal forma que acordou em Santo Tirso e deixou-se por lá ficar passados uns tempos. Entretanto já o Jarbas tinha desaparecido do mapa, por volta de 1992. Supõe-se que tenha voltado ao Brasil, onde encontrou papai Jocielson satisfeito com a sua fazenda e com a sua fábrica de caipirinha clandestina que entretanto montara. Perereca tinha pedido o divórcio, mas lembrou-se que nem sequer tinha casado e um dia abriu a porta e foi apanhar búzios outra vez para a praia e nunca mais foi vista. Jarbas, esse, já não respira futebol. Iniciou uma carreira de sucesso como mordomo de um daqueles magnatas paulistas que só andam de helicóptero, que têm uns cães enormes que matam só com o bafo de tão selvagens que são e que se dedicam a destruir as pretensões de qualquer Zé Carioca que se aproxime da sua filha com cara de periquita e que se chama Rosinha. O seu sonho é um dia substituir o reles do Ambrósio, o seu arqui-inimigo, e colocar uma bomba no Ferrero Rocher para acabar de vez com aquele anúncio. Se nunca mais virmos a patroa do Ambrósio, saberemos que a culpa vai ser, como é óbvio, exclusivamente do Jarbas. Desta vez a sério.

segunda-feira, julho 12, 2010

Eu fui à Mercearia com o Rixa

Nos dias de Verão mais quentes, gosto de ir comprar frutinha fresca. Tipo melancias e coiso…mas das melancias verdadeiras, nada de cenas transgénicas ou de outras coisas que são vermelhas por dentro e verdes por fora, tipo o Miguel Veloso. E sobretudo, nada de maçãs podres e fruta espanhola, que ainda tenho os pitons do Carlos Alvarez estampados na canela...

Como a única fruta que há no Vietname tem patas e foge do prato, quando venho a Portugal costumo ligar ao meu amigo Rixa para dar ali um salto à mercearia. É que o gajo conhece o território nacional melhor do que o José Hermano Saraiva, já que o cota nunca jogou em doze clubes diferentes. E daí…talvez até tenha jogado, mas no Século XVIII, quando estava em idade activa, só havia meia dúzia de clubes embrionários, e o Pedro Roma era o guarda-redes de metade deles.

Enfim. Faz agora uma semana que liguei ao meu velho compincha do Leixões. O gajo atende o telefone assustado, como de costume.
- "Eh pá, é que sempre que atendo a m**** do fone, passados 5 minutos já estou a fazer a mala para outro lado. Fod*****, eu já nem desfaço a p*** da mala há 7 anos, ainda lá tenho t-shirts do Fido-Dido e do Sporting campeão, c*******!”

Pedi-lhe desculpa, e prometi que deixava de ligar de número privado. Normalmente não quero que reconheçam o meu número, porque gosto de ligar ao Quim Berto às 5 da manha a insultá-lo. Quer dizer, na maior parte das vezes nem sequer o insulto, limito-me a respirar pesadamente ao telefone enquanto ele berra do outro lado. Depois desligo e sento-me nu numa cadeira de baloiço a comer gelado enquanto ouço Meatloaf. Mas não quero revelar mais pormenores sobre a minha intimidade, já basta daquela vez que levei vestidas as cuecas da esposa para o balneário. O Edson Miolo riu-se como o cacete. Como se o gajo nunca tivesse usado fio dental…a verdade é que em cinco anos, o imbecil passou do Sporting para o Centro Limoeirense. Quem se ri agora? Hah! Se bem que dado os recentes desenvolvimentos, até é capaz de ter sido um passo em frente na carreira…
Apesar disso, tenho que confessar que até curto o gajo – o Miolo é o único tipo que conheço que posso gozar por jogar num clube mais ridículo que o meu, apesar de nem tudo ser mau lá no Vietname: no T&T Ha Noi sempre posso partilhar o balneário com dois míticos pés esquerdos do imaginário da nossa bola, como o Cristiano e o arborífico Gonzalo Marronkle.

Mas voltando ao Ricardo, depois de se acalmar com o telefonema, lá lhe disse:
- "Hóme, vamos comprar bananas e afins ?"

O gajo lá disse que vinha comigo, mas que ia levar a mala com ele.
”Nunca se sabe.”
Encontrámo-nos à porta de minha casa. Nos cinco minutos que nos separaram do destino, o Platini do Mar recebeu quatro telefonemas de três Países diferentes. Enquanto escolhíamos a meloa com melhor aspecto, comprometeu-se verbalmente com dois clubes e incompatibilizou-se com os treinadores dos quatro anteriores.

Gosto de sair com ele. O fulano é uma celebridade. Esteve a mostrar o passaporte ao coreano da mercearia e o gajo ficou mesmo impressionado. Como o Rixa já jogou na Coreia (obviamente), a conversa desenrolou-se na língua deles, mas acho que topei o chinoca a dizer: “Honlado Senhol Nascimento, seu passapolte palecel passapolte de Expo 98, estal cheio de calimbos!”

O Rixa respondeu-lhe com um milho bem pregado nos cornos e fugiu a passo, porque correr não é com ele. Eu, como sou bem mais rápido que o vento, ainda estive calmamente a escolher as nêsperas com melhor aspecto, enfiei-as na minha mochila do Walsall FC e saquei um sprint à CF77 (eu). Encontrei-o mais à frente, a assinar contrato com um clube da Macedónia numa esquina. Quando o relembrei que o Prof. Neca não iria achar grande piada à coisa, ele enfiou uma cabeçada no empresário, fez um telefonema ressabiado ao treinador do referido clube e ameaçou a rescisão. Desta vez foi fácil, porque o homem nunca tinha ouvido falar dele, o que tornou tudo mais simples.

Na minha óptica, o facto de os treinadores não saberem quem é o Ricardo à partida, acaba por ser uma situação positiva. Senão saberiam que ele e o Rui Pataca tinham andado armados em sul-americanos num treino do Montpellier há uns dez anos atrás : aí ficou bem vincado que a alcunha que pomposamente usava impressa na camisola – RIXA – teria algum fundo de verdade.

Ao menos a minha – CF77 - tem mais nível…estou sempre a dizer-lhe isso. Mas normalmente quando acabo a frase, ele já está a caminho do aeroporto de bilhete na mão. É impossível ter uma conversa normal com este gajo.

Vou mas é para casa comer frutinha, que já se faz tarde.

quarta-feira, maio 26, 2010

Definitivamente Talvez

A displicência cuidadosamente assumida, a moral devastada pela ressaca, a monocelha resignada ao peso da sua enormidade, o enfado a brotar por cada poro, a sublime atracção pelos excessos, o niilismo em bruto. Jorge Silvério inventou o estilo britpop por acidente, numa manhã aparentemente gloriosa em que nem sequer deve ter lavado os dentes.
Aqui o vemos, no seu britpoppest.

quarta-feira, março 31, 2010

Os Tanques também Amam

O que têm em comum Fernando Aguiar e um aleatório jogador de futebol, para além de ambos respirarem e serem seres orgânicos?

Provavelmente nada, tendo em conta que o jogador de futebol joga de facto à bola.

Fernando, por outro lado, foi meramente um profissional da área. Existem longínquos relatos de indivíduos que juram tê-lo visto em contacto com a redondinha, mas em todas as situações rumoradas, esse mesmo contacto terá acabado em tragédia:

Foi horrível. Instalou-se o pânico na bancada, as pessoas começaram a correr em direcções opostas, cobrindo os olhos com camisolas e os ouvidos com as mãos. E as crianças, meu Deus! Alguém PENSOU nas crianças?!?”

Jorge “Gazua da Póvoa” Gamboa, companheiro de Aguiar no Beira-Mar de 2000-01, ainda não superou os traumas enfrentados no dealbar de século:

“Nunca mais fui o mesmo. Vi um rapaz dos seus 17 anos a arrancar ambos os olhos com um saca-rolhas. Eu próprio perdi o amor pelo futebol, depois de vislumbrar o Fernando a tentar um passe atrasado sobre a meia-lua, num Beira-Mar – Chaves de 2001. Foi hediondo. Ainda hoje tenho dificuldades em ver trincos com a bola nos pés.”

Fernando, por outro lado, mantém-se à ilharga da polémica. Impõe o físico no duelo 1x1 e sorri perante médios criativos que sejam estúpidos o suficiente para acariciar a redondinha nas suas redondezas. Ser agressivo é crime? Será que o Pensador de Rodin foi criticado por ser demasiado granítico? Fernando é só mais um caso da arte imitando a vida, uma estátua intransponível com responsabilidades de tampão ofensivo. “Estanca a sangria, Nando!”, gritavam-lhe do banco. Ele nunca quis ser odiado. Fernando procurava amor, aceitação. Ele só queria ser amado – e dar porrada.

Serão duas coisas assim tão incompatíveis? O canadiano queixa-se entredentes da incompreensão e ignorância que grassam no futebol luso – a crítica chamusca-lhe o ego, os maliciosos piropos da bancada causam-lhe psoríase, mas o tanque esmaga tudo pelo caminho. Impiedoso, omnipotente, ciclópico.

O colosso da queixada rectangular arrepiou caminho no hercúleo Toronto Blizzard, atravessou o Atlântico a nado (e só com um braço – estava a ler os Lusíadas com o outro) até chegar à Madeira, nadou mais um bocado até à Maia, e foi aniquilando o desporto-rei, relvados vários e canelas aleatórias até atingir o objectivo principal da carreira: destruir um prédio de cinco andares à cabeçada.

E depois, pronto, lá chegou ao Benfica.

A sua contratação causou alguma surpresa, dado que o clube da Luz – apesar de tudo – estava mais habituado a adquirir jogadores de futebol.

Aliás, especula-se que a sua aventura no ex-clube de Alejandro Escalona poderá ter tido a ver com a presença do iraniano Samir Shaker na equipa técnica do mesmo. Os ventos do futebol luso sussurram ainda hoje que o soturno Shaker seria um agente enviado pelo governo de Teerão para aquilatar a disponibilidade de Fernando Aguiar se deslocar ao Médio Oriente para abraçar as funções de arma de destruição maciça na Guerra Santa contra os Infiéis. Samir supostamente já teria levado uma nega de Musa Shannon e Jokanovic no CS Marítimo do ano transacto. Com o cepticismo de Fernando e na sequência de mais uma recusa semi-lusitana à Jihad, Samir Shaker deixaria mesmo o futebol português no final da época, desaparecendo como o vento (ou como Victor Quintana) para parte incerta.

Na sequência da recusa à Jihad - e consequente permanência em Lisboa, Fernando sentia-se lisonjeado por poder partilhar a meia-lua com Andrade:

“Tenho muito a aprender com o Andy. A forma como ele despedaça ossos é lendária. E admiro a subtileza com que ele rasga tendões. Tudo o que envolve o seu jogo é tão etereamente belo, que me apetece dedicar uma Ode às suas proezas.”

Esta épica publicação pela pena de Fernando Aguiar acabou por nunca chegar às livrarias, mas corre a lenda no balneário do Benfica que vários jogadores derramaram comovidas lágrimas ao ler as delicadas estrofes do trinco.

Emanuele Pesaresi compara mesmo Aguiar a um Homem do Renascimento Italiano: “Ele é brilhantti. Suas parolas são tão comoventes e toccantis, que me fizzeram querer abrazzar homens.” Porém, o italiano afiança que as lágrimas foram resultado de outras situações: “Não, não…não houve lágrimas. Quer dizzere, houve, peró foi perché ele nos batia muitas vezes. E doía, doía molto. Porca miseria."

A História de Fernando no Benfica foi bonita. Efémera, como o grosso dos mais tocantes contos de amor, mas sedosa e envolvente como um fio de cabelo de Miguel Veloso. Entre 2002 e 2004, o Estádio da Luz viveu uma frutuosa relação com o trinco, pois não só usufruiu dos inúmeros talentos do jogador mais virtuoso de sempre a sair do Canadá (após Alex Bunbury, obviamente), como também poupou uns cobres no que respeita à demolição do antigo Estádio – conseguindo adquirir as percentagens dos passes da orelha esquerda de Azar Karadas, da coxa direita de Éverson e de um molar de Manuel dos Santos com o dinheiro que entretanto pouparam.

Porém, o grandiloquente canadiano tinha um sonho. Como todo o filho da terra, o Curling era a sua paixão, e por muito ecléctica que a agremiação lisboeta fosse, o desporto das vassourinhas não fazia parte do seu portfólio. Assim, Fernando fez a trouxa, e qual Lucky Luke cavalgando em direcção ao horizonte pintado a tons de pôr-do-sol, deixou a solarenga capital lusa em descoberta do gélido paraíso, de seu nome Landskrona, burgo sueco de fria reputação.

Como bastião maior do Landskrona Boll Och Idrottsällskap, Aguiar conseguiu finalmente preencher mais um vazio da sua gigante alma – manejar uma vassourinha em cima de um parquet de gelo (e destruir um glaciar à cabeçada, mas isso fica para outras núpcias).

Finalmente realizado, Aguiar perdera a raiva, combustível futebolístico de outrora, e era agora um casulo de Paz, um ursinho de pelúcia com fresco odor a lavanda. E a sua performance ressentia-se. No duro campeonato sueco, palco das estrelas e Céu das mais brilhantes constelações da redondinha, Fernando era apenas mais um. A bola atrapalhava, o gelo não ajudava e pela primeira vez na sua vida, o tanque canadiano não ripostava ceifando, arrastando, puxando e maltratando os oponentes. Não. O veterano de tantas batalhas perdera aquilo que o tornara especial.

Assim, só havia uma solução possível - voltar ao local onde fora feliz: onde Fernando Aguiar aprendera a ser Fernando Aguiar. Portu fuckin' gal.

Deixando a meio a tela do sonho pintalgada a Curling, o nosso amigo abandona os barbáricos túneis do Landskrona Boll Och Idrottsällskap para ingressar num clube português cuja sigla é F.C.P. e que conta com Clayton, Folha e Ljubimko Drulovic no ataque. Infelizmente, o calendário segredava o Ano da Graça de 2004 – e o tal F.C.P. era o Futebol Clube de Penafiel, cujo decrépito trio ofensivo cruzava o cautchú em decomposição para a cabeça de Rolf Landerlhardly a Mário Jardel, i say.

Enfim. É o que se arranja. De qualquer forma, não é qualquer um que tem a Honra de poder contar aos netos que formou barreira ao som dos autoritários grunhidos do lendário keeper João Viva, uma espécie de Pedro Roma das divisões secundárias.

Seduzido pela alva barba do Major Valentim, Fernando ainda deu uma perninha tetra-anual no principal grémio da cidade de Gondomar, onde pôde partilhar balneário com o Fumo, coisa que certamente não lhe terá feito bem aos quatro pulmões. Terminou a carreira flirtando com os quarenta, a distribuir fruta ao lado de ícones como Fabeta e Idalécio.

Decididamente, a coisa poderia ter corrido bem pior para a primeira arma de destruição maciça a sair do Canadá – mesmo que a carreira no Curling não tenha sido inteiramente frutífera.


Post Scriptum Cromatium: algumas destas imagens foram desenvergonhadamente surripiadas do bossiânico blog Vedeta ou Marreta.

sábado, março 20, 2010

Beira Mar vs Viseu há 13 anos - 97-98

Este video vale a pena.
Gilberto Madaíl e Dias Ferreira há 14 anos atrás. que novinhos e amigos que eles eram..
Jogadores de cuecas a correr à volta do campo... onde é que hoje se ve isto?
Lobão e a sua imponente compleição física...Eusébio, Jorge Neves, Welder, que equipa!!!



Uma bela recordação do nosso baú!

quinta-feira, julho 09, 2009

O Sr. Gila

Gila, ou a primeira vez que confundi um jogador da bola com um contabilista de Valpaços.

sábado, abril 25, 2009

Informações Úteis

Não se esqueça:

Um bom café é aquele café deliciosamente temperado com um generoso Torrão de açúcar. Sem um Torrão de açúcar o café não é simplesmente a mesma coisa. E se o Torrão em causa for patrocinado pelos Cafés Delta, sabemos que estamos perante um Torrão de elevada qualidade, capaz de emprestar ao seu café o travo que o fará sentir como um George Clooney dentro de uma loja Nespresso cheia de mulheres.
Siga este nosso conselho todas as manhãs e verá como o seu rendimento diário incrementará a olhos vistos.
E por falar em vistas, o Boavista sabe o que nós queremos dizer com isto do “rendimento incrementado”. Ou melhor, sabia. Agora é mais Mokambo em copo de plástico e sem açúcar, que o orçamento não dá para mais.

A Árvore das Patacas é uma frondosa árvore apetecível pela qualidade dos seus frutos, mas cautela: saiba distinguir as Patacas boas daquelas que são indigestas.
As Patacas podres adquirem um tom acastanhado e enrugado, acumulando-se no chão, junto à base do tronco. Se ingeridas, provocam diarreias, enxaquecas, cruzamentos desmedidos ao segundo poste e lapsos de memória que amiúde previnem de marcar os extremos-esquerdos como deve ser.
Evite estas maleitas e recolha as Patacas boas e sorridentes directamente da árvore.

Se sair à noite, lembre-se das consequências da ingestão de álcool em excesso. As costumeiras figuras tristes que lhe são inerentes são sobejamente conhecidas, mas é possível que um indivíduo perca completamente a sua face e, pior que isso, transfigure-a completamente. Ou seja, o álcool é capaz de transformar um defesa-esquerdo que vai jogando no Sporting num semi-anónimo defesa-central camaronês que um dia hat-trickou contra o Sporting.
Muita moderação, portanto, se quiser evitar surpresas.

Portugal é um país inusitado no qual localidades inteiras podem migrar durante temporadas. Verifique se o seu mapa se encontra devidamente actualizado antes de se fazer à estrada.
Por exemplo, é possível que um Mangualde, que todos pensávamos estar ali perto de Viseu, se tenha mudado de armas e bagagens para Paços de Ferreira, enquanto que o Alhandra, que todos julgávamos emparedado entre a Cimpor e o rio Tejo, poderá ser visto um pouco mais a norte, em Leiria.
Quer dizer, se é que os dezasseis ou dezassete indivíduos que vêem os jogos em Leiria alguma vez notaram pela presença dele. O mais provável é que tivessem aproveitado toda aquela tranquilidade para curar insónias.

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